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quinta-feira, 10 de maio de 2018

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

3.1 Meio Ambiente



É difícil o estabelecimento da conceituação de meio ambiente ligado às relações escolares, na medida em que este conceito está imerso dentro do debate sobre a ecologia, entendendo  o  meio ambiente  como  espeço  ligado  ao  mundo natural, no sentido da natureza selvagem e muitas vezes não levando em conta a imersão  deste  sujeito,  homem  no  meio  ambiente,  ou  seja,  a  sociedade  que  o
circunda, também é o meio ambiente. O CONAMA1 306:2002 define meio ambiente

como  o  conjunto  de  condões,  leis,  influencia  e  interações  de  ordem  física, química, biológica, social, cultural e urbanística, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas, por mais que pensemos em meio ambiente como espaço da natureza, iremos nos orientar pela definição que abarca as relações entre a sociedade e o meio no qual habitam os sujeitos dos processos de intervenção, em nosso caso, do processo educacional.   Dentro  da  perspectiva  do  espaço  escolar como ambiente de interações para o desenvolvimento adequando de um processo de aprendizado, devemos levar em conta todo o impacto que esse ambiente exerce sobre o educando e sua comunidade, como o processo de instalação de uma escola em uma comunidade, vem cheio de expectativas e esperanças desde a comunidade que a recebe, como do poder público que ali deposita os seus anseios, assim como a comunidade local, criando por vezes conflitos ou consonâncias. Nas palavras de
(ELALI, 2003)

Atuando  de  modo  não-verbal,  por  sua  vez,  o  meio  físico  tem impacto direto e simbólico sobre seus ocupantes, facilitando e/ou inibindo comportamentos.   Na   escola,   ele   possibilita   a   decodificação   e   a

1 Conselho Nacional do Meio Ambiente. Órgão brasileiro responsável pela adoção de medidas referentes ao Sistema Nacional do Meio Ambiente.




aprendizagem até mesmo de normas sociais, comunicando não- verbalmente aos estudantes as intenções e os valores dos professores enquanto adultos que exercem controle sobre o espo (p. 309)


Os  conflitos  podem  ocorrer  no  espaço  escolar  por  diversas  razões  e  de formas distintas, na maioria  dos estudos a  violência é  tratada como  agressões físicas, hora entre alunos hora entre alunos e professores, porem outros aspectos da violência são deixados de lado como a interação do espaço físico com essas formas de agressividade, em nosso estudo buscaremos analisar os efeitos dessa violência no patrimônio, sendo esta gerada dentro do microcosmo do meio ambiente escolar, ou seja, não dos educandos, mas da comunidade que de alguma forma participa do convívio educacional do ambiente escolar, (BECKER e KASSOUF, 2016) nos alerta para a importância de ficarmos atento a este tipo de violência.

quando  atos  desse  tipo  são  repetitivos  e  ficam  impunes,  a  ideia  de cidadania e de confiança nas instituições é enfraquecida, quebrando as regras elementares de convivência. Esse argumento baseia-se em uma pesquisa sobre a violência escolar, enfocando prioritariamente as experiências e  percepções de adolescentes e jovens em  cinco capitais brasileiras em 2003. Os dados obtidos mostram a banalização de crimes contra o patrimônio no cotidiano das escolas, quando muitas vezes se identificam   esses   acontecimentos   como   brincadeira   ou   algo   sem imporncia. No presente estudo, ao observarmos que crime contra o patrimônio pode levar a  atos violentos contra pessoas, corroboramos o argumento de que tal comportamento não pode ser tratado como algo sem imporncia e devem ser tomadas providências quando esse tipo de ato é observado na escola. (p. 670-671)


Desta forma buscaremos em nosso trabalho, através da percepção ambiental, facilitar a observação do educando dos danos provocados pela violência patrimonial no ambiente escolar assim como a perda em seu desenvolvimento sócio-afetivo- cognitivo, estabelecendo laços entre a comunidade escolar e seu ambiente.


3.2 Perceão e Perceão Ambiental



O termo percepção, derivado do latim  perception, é definido na maioria dos dicionários da língua portuguesa como: ato ou efeito de perceber; combinação dos sentidos no reconhecimento de um objeto; recepção de um estímulo; faculdade de conhecer independentemente dos sentidos; sensação; intuição; idéia; imagem; representação intelectual. (Martin, 2008, p.206)


Sendo assim, a percepção está relacionada com a forma que o indivíduo sente e reage um estímulo ou a um conjunto de estímulos, ou seja, é uma respostaos estímulos no caso externos, várias de nossas percepções tem valores de sobrevivência para a escie e para a cultura da qual fazemos parte, os nossos sentidos de percepção diferem entre os seres humanos, de acordo com a estimulação, alguns mais ou menos desenvolvidos/apurados, não falamos nesse trabalho de crianças com necessidades específicas sensoriais, podemos citar como exemplo as mãos e pés: possibilitam-nos o tato, um sentido que nos fornece muitas informações, quanto mais utilizamos, mais sensível fica.
De acordo com Goldschmidt el al (2008)



Todo ser vivo interage com o mundo a sua volta por meio dos órgãos ou estruturas dos sentidos. Porém, para que essa percepção de mundo ocorra, é  imprescindível receber, transportar e  transformar estímulos em informações necessárias para interpretação do meio em que se vive. Todo esse processo gera aprendizado cognitivo. (s. p.)


Tuan  (1980) destaca a  importância  da  visão  como  sendo  o mais utilizado pelos seres humanos na percepção ambiental, parece ser o mais complexo e desenvolvido, uma prova disso seria o fato de vermos na ausência da coisa vista que seria a teoria da cópia, nenhum outro sentido é revivido desta forma.


Ampliando-se o conceito de percepção a ponto de abranger os eventos privados do indivíduo chegaremos à conclusão de que a percepção pode       ser       considerada       um       dos       principais comportamentos precorrentes através do  qual construímos nossa realidade (LOPES, 2002. p.132).


Sendo assim quando se explora o mundo, existe o benefício de experiências do passado. Isso é uma forma de simplificação e estabilização do mundo fornecido pelo nosso cérebro, pelas percepções que são conectadas as sensações, para fazer concepções mais complexas, exemplo se uma cadeira for vista pela frente ou por trás, se o indivíduo já teve a percepção e tem uma imagem mental da cadeira irá reconhecê-la, caso contrário se um objeto de estranhamento.
Unindo as conceituações percepção mais o meio ambiente teremos a percepção ambiental, ou seja, a forma como o sujeito reage ao ambiente, nesse estudo vamos conhecer como os alunos percebem o ambiente escolar.
Marin et al (2008) define a percepção ambiental como as diferentes formas do ser humano perceber o mundo, as quais podem se revelar diferentes ao longo do tempo e entre diferentes sociedades.






3.3 Ambiente Escolar Saudável



O ambiente escolar reflete as relações interpessoais entre alunos, professores, comunidade e gestores da própria escola. Segundo Taylor & Vlastos, no livro School Zone: learning environments for children, o ambiente escolar é um microcosmo do universo: o espaço físico delimita o mundo; o sistema escolar e sua organização revelam a sociedade; as pessoas envolvidas na experiência de aprendizado formam a população. Esse sistema reflete a “saúdedo ambiente de uma escola e consequentemente, de uma sociedade ou região específica.
A escola é o primeiro agente de socialização fora do círculo familiar para uma criança. É onde eles passarão grande parte do seu tempo e de onde receberão grandes transmissões de valores. Tendo a escola esse papel tão importante no desenvolvimento  intelectual,  social  e  cultural  de  uma  criança,  é  que  se  faz necessário que esse ambiente seja harmonioso e sem violência.
Hoje em dia muito se fala em ambientes de trabalho sauveis, que motivem rendimento dos funciorios e os façam se sentir satisfeitos e felizes no espaço em que frequentam todos os dias. Pois bem, essa necessidade também se faz no ambiente  escolar  e  afeta  diretamente  o  aprendizado  de  uma  criança  e  a produtividade dos professores e gestores.
Um ambiente escolar saudável está ligado a uma série de questões, tais como: relações interpessoais entre professores, alunos e pais; organização de todos os setores e infraestrutura / arquitetura do espaço.
Para que essas relações interpessoais sejam de qualidade, é preciso manter um diálogo aberto e saudável entre todos os envolvidos, com reuniões periódicas de pais, grupos e projetos que envolvam as comunidades e assegurar a existência de um espaço aberto para debates coletivos em que todos possam ser ouvidos. Além disso, a colaboração de todos é um ponto imprescindível e um dos mais importantes para que o ambiente se mantenha saudável e harmonioso.
É preciso manter os professores atualizados sobre os resultados do desempenho escolar e desenvolvimento de planos pedagógicos, criando um constante fluxo de informações, onde todos tenham acesso e se sintam parte do processo de forma  igual,  tanto  nos resultados  positivos  quantos nos  negativos, mostrando que o trabalho é sempre em equipe e tem o peso da participação de todos.
As relações entre a pessoa e o local e todas as sensações ali vivenciadas, também influenciam diretamente no desenvolvimento do indivíduo. Esse assunto está ligado à questão visual e à questão da disponibilização de recursos didáticos.
Em seu livro “Arquitetura Escolar, a autora Doris Kowaltowski fala sobre a complexidade que é, ou deveria ser, projetar um ambiente de ensino, que irá influenciar no suporte aos objetivos educacionais de uma comunidade. No Brasil esse desenvolvimento é muito criticado e pouca discussão se dá sobre isso, o que resulta em prédios sem o menor preparo para oferecer apoio, facilidades e possibilidades à equipe de docentes e discentes e acaba refletindo na situação do ambiente escolar como um todo, o que inclui ações no entorno do pdio e sua comunidade.
O estudo Infraestrutura Escolar e Aprendizagens da Educação Básica Latino- americana, realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) feito com base no Segundo Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Serce) de 2006, revelou que a falta de estrutura na escola prejudica a aprendizagem dos estudantes da América Latina e consequentemente o ambiente como um todo.

Através da análise de 200 mil alunos de 3ª e 6ª séries do ensino fundamental de

16 países da América Latina, notou-se que os que possuem acesso à boa infraestrutura têm um melhor desempenho do que os que estão em escolas menos estruturadas. Espaços de apoio para professores, áreas para prática de esportes e recreação, laboratórios de ciências, auditórios, computadores, espaços para leitura bem equipados, mobiliários flexíveis e em bom estado, podem ser considerados “livros tridimensionais” no processo educacional e refletem em um ambiente saudável e de fácil socialização. Assim como em uma empresa, essas questões também influenciam na qualidade do temperamento das pessoas que as usufruem.
Todo esse processo para manter um bom ambiente escolar, a dio e longo prazo se transforma em uma forte cultura da ppria escola, que podeperdurar por muito tempo e gerar seus pprios princípios, o que acaba indo além de um clima favovel para um convio diário.






3.4 Desenvolvimento Cognitivo, Afetivo e Social Da Criança Na Escola



A cognição envolve várias habilidades como: pensamento, raciocínio, abstração, linguagem, memória, atenção, criatividade, capacidade, capacidade de resolução de problema, entre outras funções. Como pode-se perceber essas habilidades não são transmitidas aos educandos, outrossim ela deve se desenvolver por isso, o professor deve desafiar os sujeitos e não apresentar apenas conteúdos com resoluções preestabelecidas. (Ribeiro, 2015. p.6-7)


Somos seres humanos complexos e o nosso desenvolvimento se dá de forma conjunta, o físico, o cognitivo, o social e o afetivo/emocional. A afetividade não se refere exclusivamente ao carinho e sim um preparo para a cognição, de acordo com
Ribeiro (2010).

A partir da educação afetiva podem-se desenvolver sujeitos, que está no  gozo  dos  direitos  civis  e  políticos  e  também  desempenha  deveres. Sujeitos críticos, que têm opinião própria. Honestos, com verdade em seus atos e declarações, não propensa a enganar, mentir ou fraudar. E responsáveis que respondem pelos próprios atos. Assim o desenvolvimento da afetividade é fundamental para qualquer indivíduo. (p.5)


A escola sedeterminante para o desenvolvimento cognitivo e social infantil e, portanto, para o curso posterior de sua vida. É na escola que se constrói parte da identidade de ser e pertencer ao mundo; nela adquirem-se os modelos de aprendizagem,  a  aquisição  dos  princípios  éticos  e  morais  que  permeiam  a sociedade; na escola depositam-se as expectativas, bem como as vidas, inseguranças   e   perspectivas   em   relação   ao   futuro   e   às   suas   pprias potencialidades.
Se assim é, então é na escola que devemos utilizar a emoção, a percepção e a  interação  com  o  meio,  que  contemplam  tamm  as  interações  sociais,  para facilitar o desenvolvimento cognitivo do educando.


3.5 Convívio Social Da Criança Na Escola



Como citado anteriormente, a escola é o primeiro influente na questão da sociabilização da criança. É na sala de aula em que ela começa a ter uma noção do convívio coletivo, o que é mais difícil de acontecer dentro de casa, com a ppria família.
É  importante a  vivência  em  situações diferentes, adversas  às quais  está 
acostumada em casa, sendo que isso inclui opiniões, culturas, gostos, etc., que gera um dos maiores desafios da aprendizagem: o respeito. Na escola a criança teoportunidade de vivenciar diferentes relações, principalmente com os professores e outros   alunos   e   apenas   dessa   forma   coloca   em   prática   o   início   do desenvolvimento de convivências saudáveis, pois além de tudo irá aprender a dividir a atenção com outras crianças, iniciando então um estímulo ao coletivo e suas particularidades.

[...] não existe nada mais enriquecedor do que ser confrontado com o que não é comum, com o desconhecido, pois isto aumenta as conexões neurais  e   desenvolve  o potencial  cognitivo,  social  e   emocional  dos pequenos. E quanto mais cedo isto acontecer, melhores resultados serão obtidos.

É interagindo com o que é diferente e com o que desestabiliza, desde pequeno, que o ser humano tem a possibilidade de elaborar hipóteses e resoluções e, assim, aprender a viver e conviver de forma mais saudável e menos dependente, tanto atitudinal como emocionalmente (FIGUEIREDO,
2014).

A escola tem um papel fundamental nesse quesito, porém, é importante a postura dos pais diante da questão de que nem sempre convivemos com o que nos identificamos e ressaltar que esse é um ponto com o qual teremos que lidar por toda a nossa vida, em locais como no trabalho, na igreja, no bairro em que vivemos, etc. É fundamental que os pais reconheçam a importância dessa socialização na fase da primeira infância, que possui um potencial muito grande de desenvolvimento, pois os estímulos são mais fortes, mas muitas vezes desconhecido e quando inexistente pode causar sérios danos futuros.
Cabe à escola e ao processo pedagógico promover cada vez mais essas interações, estimulando atividades em grupos, mudança de layout da sala de aula para um maior contato visual entre todos, superando configurações mais formais tanto físicas quanto pedagógicas.

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