3.1 Meio Ambiente
É difícil o estabelecimento da conceituação de meio ambiente ligado às relações escolares, na medida em que este conceito está imerso dentro
do
debate sobre a ecologia, entendendo o meio ambiente como espeço ligado ao mundo
natural,
no
sentido da natureza selvagem e muitas vezes não levando em conta a
imersão deste sujeito, homem no
meio
ambiente, ou
seja, a sociedade que
o
circunda, também é o meio ambiente. O CONAMA1 306:2002 define meio ambiente
como “o
conjunto
de condições,
leis,
influencia
e
interações de ordem física, química, biológica, social, cultural e urbanística, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas
formas”, por mais que pensemos em meio ambiente como espaço
da
natureza, iremos
nos
orientar pela definição que abarca as relações entre a
sociedade e
o meio no qual habitam os sujeitos dos processos de intervenção, em
nosso caso, do processo educacional. Dentro
da perspectiva
do espaço
escolar como ambiente de interações para o desenvolvimento adequando de um processo de
aprendizado, devemos levar em conta todo o impacto que
esse ambiente exerce
sobre o educando e sua comunidade, como o
processo de instalação de uma escola em uma comunidade, vem cheio de expectativas e esperanças desde a comunidade
que a recebe, como do poder público que ali deposita
os seus anseios, assim como a comunidade local, criando por vezes conflitos ou consonâncias. Nas palavras de
(ELALI, 2003)
1 Conselho Nacional do Meio Ambiente. Órgão brasileiro responsável pela adoção de medidas referentes ao Sistema Nacional do Meio Ambiente.
aprendizagem até mesmo de normas sociais, comunicando
não-
verbalmente
aos
estudantes as intenções e os valores dos professores enquanto adultos que exercem controle sobre o espaço (p. 309)
Os conflitos podem ocorrer no espaço
escolar
por diversas razões e de
formas distintas, na maioria dos estudos a violência é tratada como agressões físicas,
hora entre alunos
hora entre alunos
e professores, porem outros aspectos
da violência são deixados de lado como a interação do espaço físico com essas
formas
de
agressividade, em nosso estudo buscaremos analisar
os
efeitos dessa violência no patrimônio, sendo esta gerada
dentro do microcosmo do meio
ambiente escolar, ou seja, não só dos educandos, mas da comunidade que de alguma
forma participa do convívio educacional do ambiente escolar, (BECKER e KASSOUF, 2016) nos alerta para a importância de ficarmos atento a este tipo de violência.
quando
atos desse tipo são
repetitivos
e ficam
impunes, a ideia
de cidadania e de confiança nas instituições é enfraquecida,
quebrando as regras elementares
de convivência. Esse argumento baseia-se em uma pesquisa sobre a violência escolar, enfocando prioritariamente as experiências e
percepções de adolescentes e jovens em
cinco capitais
brasileiras em 2003. Os dados obtidos mostram a banalização de crimes contra o patrimônio no cotidiano das escolas, quando muitas vezes se identificam esses
acontecimentos como brincadeira ou
algo sem importância. No presente estudo, ao observarmos
que
crime contra o
patrimônio pode levar a atos violentos contra pessoas, corroboramos o argumento de que tal comportamento não pode ser tratado como algo sem
importância e devem ser tomadas providências quando esse tipo de ato é observado na escola. (p. 670-671)
Desta forma buscaremos em nosso trabalho, através da percepção ambiental,
facilitar a observação do educando dos
danos provocados
pela
violência patrimonial
no ambiente
escolar assim como
a perda
em
seu desenvolvimento sócio-afetivo- cognitivo, estabelecendo laços
entre a comunidade escolar e seu ambiente.
3.2 Percepção e Percepção Ambiental
O termo percepção, derivado do latim perception, é definido na maioria dos dicionários da língua portuguesa
como: ato ou efeito de
perceber; combinação dos sentidos no reconhecimento
de um
objeto; recepção de um estímulo; faculdade de conhecer independentemente
dos sentidos; sensação; intuição; idéia; imagem; representação intelectual.
(Martin, 2008, p.206)
Sendo assim, a percepção está relacionada com a forma que o indivíduo
sente e reage um estímulo ou a um conjunto de estímulos, ou seja, é uma resposta aos estímulos no caso externos, várias de nossas percepções
tem
valores de sobrevivência para a espécie e para a cultura da qual fazemos parte, os nossos sentidos de
percepção diferem entre os
seres humanos, de
acordo com a
estimulação, alguns
mais
ou menos desenvolvidos/apurados, não falamos nesse
trabalho de crianças com necessidades específicas sensoriais, podemos citar como exemplo as mãos e pés: possibilitam-nos o
tato,
um sentido que nos fornece muitas informações, quanto mais utilizamos, mais
sensível fica.
De acordo com Goldschmidt el
al (2008)
Todo ser vivo interage com o mundo a sua volta
por
meio dos órgãos ou estruturas dos sentidos. Porém, para que essa percepção
de mundo
ocorra, é imprescindível receber, transportar e transformar estímulos em
informações necessárias para interpretação
do meio em que se vive. Todo
esse
processo gera aprendizado cognitivo. (s. p.)
Tuan (1980) destaca a importância da
visão como
sendo o mais utilizado pelos seres humanos na percepção ambiental, parece ser o mais complexo e desenvolvido, uma prova disso seria o fato de vermos na ausência da coisa vista
que seria a
teoria da cópia, nenhum
outro sentido é revivido desta
forma.
Ampliando-se
o conceito de percepção a ponto de abranger os eventos privados do indivíduo chegaremos
à conclusão de que a percepção
pode ser considerada
um
dos principais comportamentos precorrentes através do
qual construímos nossa realidade (LOPES, 2002.
p.132).
Sendo assim quando se explora o mundo, existe o benefício de
experiências do passado. Isso é uma forma de simplificação e estabilização do mundo
fornecido pelo
nosso cérebro, pelas percepções que são conectadas
as sensações, para fazer
concepções mais complexas, exemplo se uma cadeira for
vista pela frente ou por trás,
se o indivíduo já
teve a percepção e
tem uma imagem mental da cadeira irá
reconhecê-la, caso contrário será um
objeto de estranhamento.
Unindo as conceituações percepção
mais o meio
ambiente teremos
a percepção ambiental, ou seja, a forma como o sujeito reage ao ambiente, nesse estudo vamos conhecer como
os alunos percebem o ambiente escolar.
Marin et al (2008) define a percepção ambiental
como as diferentes formas do
ser
humano perceber
o mundo, as quais podem se revelar diferentes ao longo do tempo e entre diferentes
sociedades.
3.3 Ambiente Escolar Saudável
O ambiente escolar reflete as relações interpessoais entre alunos,
professores, comunidade e gestores da própria escola. Segundo Taylor & Vlastos,
no
livro School Zone: learning environments for children, o ambiente escolar é um
microcosmo do universo: o espaço físico delimita o mundo; o sistema escolar e sua
organização revelam a sociedade; as
pessoas envolvidas na experiência de
aprendizado formam a população. Esse sistema reflete a “saúde”
do
ambiente de
uma
escola e consequentemente, de uma sociedade ou região específica.
A escola é o primeiro agente de socialização fora do círculo familiar para
uma
criança. É onde eles passarão grande parte do seu tempo e de onde receberão grandes transmissões de valores. Tendo a escola
esse
papel tão importante no desenvolvimento intelectual, social
e cultural
de uma criança, é que se
faz necessário que esse ambiente seja harmonioso e sem violência.
Hoje em dia muito se
fala
em ambientes
de
trabalho saudáveis, que motivem
rendimento dos funcionários e os façam se sentir satisfeitos e felizes no espaço em
que frequentam todos os dias. Pois bem,
essa
necessidade também se
faz
no ambiente escolar e
afeta diretamente
o
aprendizado de uma criança
e a produtividade dos professores e gestores.
Um ambiente escolar saudável está ligado a uma série de questões, tais como: relações interpessoais entre professores, alunos
e pais; organização de todos os
setores e infraestrutura / arquitetura do espaço.
Para que
essas relações interpessoais sejam de qualidade, é preciso manter
um
diálogo aberto e saudável entre todos
os envolvidos, com reuniões periódicas
de pais, grupos e projetos que envolvam as comunidades e assegurar a existência de
um espaço aberto
para debates coletivos em que todos possam ser ouvidos. Além
disso, a colaboração de todos é um ponto imprescindível e um dos
mais
importantes para
que o ambiente se mantenha saudável e harmonioso.
É preciso
manter os professores atualizados sobre os resultados do
desempenho escolar e desenvolvimento de planos pedagógicos, criando um constante
fluxo de informações, onde todos tenham acesso e se sintam parte do processo de forma
igual,
tanto nos resultados
positivos
quantos nos negativos, mostrando que o trabalho é sempre em equipe e tem o peso da
participação de todos.
As relações entre a pessoa e o local e todas as sensações ali
vivenciadas,
também influenciam diretamente no desenvolvimento do indivíduo. Esse assunto
está
ligado à questão visual
e à
questão da disponibilização de recursos didáticos.
Em seu livro “Arquitetura Escolar”, a autora Doris Kowaltowski fala sobre a complexidade que é,
ou
deveria ser,
projetar um ambiente de ensino, que irá influenciar no suporte aos objetivos educacionais de uma comunidade. No Brasil esse
desenvolvimento é
muito criticado e pouca
discussão se dá sobre isso, o que resulta em prédios sem o menor preparo para oferecer apoio, facilidades
e possibilidades
à equipe de docentes e discentes e acaba refletindo na situação do
ambiente escolar como um todo, o que inclui ações no entorno
do prédio e sua comunidade.
O estudo Infraestrutura Escolar e Aprendizagens da Educação Básica Latino-
americana, realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) feito com
base no Segundo Estudo Regional
Comparativo e Explicativo (Serce)
de 2006, revelou
que a falta de estrutura na escola prejudica a aprendizagem dos
estudantes
da
América Latina e consequentemente o ambiente como um todo.
Através da análise de 200 mil alunos de 3ª e 6ª séries do ensino fundamental de
16 países da América
Latina,
notou-se que
os que possuem acesso à boa infraestrutura têm um melhor
desempenho do que os que estão em escolas menos estruturadas. Espaços de apoio para professores, áreas
para
prática de esportes e recreação, laboratórios
de
ciências, auditórios,
computadores, espaços
para
leitura bem equipados, mobiliários
flexíveis e em bom estado, podem ser considerados “livros tridimensionais” no
processo educacional e refletem em um ambiente saudável e de fácil
socialização. Assim como em
uma empresa, essas questões também influenciam na qualidade do temperamento
das
pessoas que as usufruem.
Todo esse processo para manter um bom ambiente escolar, a médio e longo
prazo se transforma em uma forte cultura da própria escola, que poderá
perdurar por
muito tempo e gerar seus
próprios
princípios, o que acaba indo além de um clima
favorável para
um
convívio diário.
3.4 Desenvolvimento Cognitivo, Afetivo
e Social Da Criança Na Escola
A cognição envolve várias habilidades
como: pensamento, raciocínio, abstração, linguagem,
memória, atenção, criatividade, capacidade, capacidade de resolução de problema, entre outras funções.
Como
pode-se perceber essas habilidades
não
são transmitidas aos educandos,
outrossim ela deve se desenvolver
por
isso, o professor deve desafiar os sujeitos e não apresentar apenas conteúdos com resoluções
preestabelecidas. (Ribeiro, 2015. p.6-7)
Somos seres humanos complexos e o nosso
desenvolvimento se dá de
forma
conjunta, o físico, o cognitivo, o social e o afetivo/emocional. A afetividade não se
refere exclusivamente ao carinho e sim um preparo para a cognição, de acordo com
Ribeiro (2010).
A
partir da educação afetiva podem-se desenvolver sujeitos, que está
no gozo
dos direitos civis
e
políticos
e
também
desempenha
deveres. Sujeitos críticos, que têm opinião própria. Honestos, com verdade
em seus atos e declarações, não propensa a enganar, mentir ou fraudar. E
responsáveis que respondem pelos próprios atos. Assim o desenvolvimento da
afetividade é fundamental para qualquer indivíduo. (p.5)
A escola
será determinante para
o desenvolvimento cognitivo
e social infantil e, portanto, para o curso posterior de sua vida. É na escola que se
constrói parte da identidade
de ser e pertencer ao
mundo; nela adquirem-se os modelos
de aprendizagem,
a
aquisição
dos
princípios éticos
e
morais que permeiam
a
sociedade; na escola depositam-se as
expectativas, bem como as dúvidas,
inseguranças
e perspectivas em relação ao futuro e às suas próprias
potencialidades.
Se assim é, então é na escola que devemos utilizar a emoção, a percepção e a interação
com
o
meio,
que
contemplam também
as interações sociais, para facilitar
o desenvolvimento cognitivo do educando.
3.5 Convívio Social Da Criança Na Escola
Como já citado anteriormente, a escola é o primeiro influente na
questão da sociabilização da criança. É na sala de aula em que ela começa a ter uma noção do convívio coletivo, o que é mais
difícil de acontecer dentro de casa, com a própria família.
É importante a vivência em
situações diferentes, adversas
às quais está
acostumada em casa, sendo que isso inclui opiniões, culturas, gostos, etc., que gera um dos
maiores desafios da aprendizagem: o respeito. Na escola a criança terá
oportunidade de vivenciar diferentes
relações, principalmente com os professores e
outros alunos e
apenas dessa
forma colocará em prática o
início do
desenvolvimento de convivências saudáveis, pois além de tudo irá
aprender a dividir a atenção com outras crianças,
iniciando então um estímulo ao coletivo e
suas
particularidades.
[...] não existe nada mais enriquecedor
do que ser confrontado com o que não é comum, com o desconhecido, pois isto aumenta as conexões
neurais e desenvolve
o potencial
cognitivo, social
e emocional dos
pequenos. E quanto mais cedo isto acontecer,
melhores resultados
serão obtidos.
É interagindo com o que é diferente e com o que desestabiliza, desde
pequeno, que o ser humano tem a possibilidade de elaborar hipóteses e
resoluções e, assim, aprender a viver e conviver de forma mais saudável e menos dependente, tanto atitudinal como emocionalmente (FIGUEIREDO,
2014).
A escola tem um papel fundamental
nesse quesito, porém, é importante a
postura
dos
pais diante da questão de que nem sempre convivemos
com
o que nos identificamos e ressaltar que esse é um ponto com o qual teremos que lidar
por toda a nossa vida, em locais como no trabalho, na igreja, no bairro em que vivemos, etc. É fundamental que os
pais
reconheçam a importância dessa socialização na fase da
primeira infância, que possui um potencial muito grande de desenvolvimento, pois
os estímulos são mais fortes, mas
muitas vezes desconhecido e quando inexistente pode causar sérios
danos futuros.
Cabe à escola e ao processo pedagógico promover cada vez mais
essas
interações, estimulando atividades em grupos, mudança de layout da sala de aula para um maior contato visual entre todos, superando configurações mais formais
tanto físicas quanto pedagógicas.
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